Com redução das cirurgias eletivas, hospitais fazem campanhas para administrar déficit orçamentário

64

Nunca a ajuda financeira foi tão necessária para que os hospitais filantrópicos possam seguir prestando assistência à toda a população. Com a proibição das cirurgias eletivas neste período de quarentena imposta para evitar o contágio pela Covid-19, instituições como o Hospital Maternidade de Campinas (SP) viram suas receitas serem reduzidas em cerca de 40% e as despesas ampliarem com o aumento da demanda e dos preços de produtos de higiene – como o álcool gel – e equipamentos de segurança (máscaras e luvas de proteção, aventais etc.)

Até março, quando foi decretada a quarentena e a proibição das cirurgias eletivas, o Hospital Maternidade de Campinas realizava de 70 a 90 procedimentos por dia. Com a suspensão, foram autorizados apenas as cirurgias de emergência, que resultaram em não mais do que oito procedimentos diários. “Nosso faturamento despencou de R$ 7,9 milhões/mês para R$ 4,4 milhões, acumulando um déficit mensal de R$ 3,5 milhões. Para manter a filantropia, que representa mais da metade dos nossos atendimentos (cerca de 60%), tivemos que recorrer às campanhas de arrecadação, pedindo a ajuda da população para conseguir honrar os nossos compromissos com fornecedores, com o corpo clínico e com os funcionários”, explica o presidente da instituição, Dr. Carlos Ferraz.

O presidente explica que o retorno parcial do agendamento dos procedimentos represados, autorizados apenas no início de agosto, tem acontecido de maneira cuidadosa e apenas com indicação em prontuário médico. Ele estima que, no início, a retomada estará limitada a 50% da capacidade instalada. “Precisamos fazer os agendamentos de forma gradual, respeitando as taxas de ocupação dos leitos de UTI, e conforme a evolução da cidade nas fases no Plano São Paulo”, diz.

No Hospital Maternidade de Campinas são realizadas cirurgias avançadas nas especialidades de endometriose e endoscopia ginecológica, de oncológica abdominal, de cirurgia bariátrica e metabólica e de urológica e patologias masculinas. Além dos modernos equipamentos para cirurgias de alta complexidade, a instituição conta, a seu favor, com os baixíssimos índices de infecção hospitalar. A taxa de infecção em cirurgia limpa é de apenas 0,03%, abaixo da referência P50 (50% dos hospitais do Estado de São Paulo) que é de 0,44%.

Esforços financeiros

Toda a diretoria do Hospital Maternidade de Campinas é voluntária, ou seja, seus diretores não recebem salários para administrar a instituição, e mais de 200 médicos são associados e contribuem com mensalidades para ajudar o hospital. Mas não é o suficiente. A população pode contribuir por meio de depósitos bancários (Banco Itaú, agência 1026, conta corrente 03979-0, CNPJ 46.043.980/0001-00) ou adquirindo títulos de capitalização por R$ 12,00, o Doacap, para concorrer a prêmios de R$ 120 mil reais (doacap.mapfre.com.br/maternidadedecampinas).

As pessoas também podem contribuir por meio do fornecimento de produtos, como álcool em gel, fraldas para recém-nascidos, termômetros digitais e papel sulfite ou de equipamentos de proteção, como luvas, máscaras, aventais, papel lenço, óculos etc. Essas doações ajudam na redução dos gastos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui

19 − doze =

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.