Dor e câncer: evolução dos tratamentos proporciona uma vida melhor

Foto: Dr. Felipe Machado, especialista em dor

A dor é altamente prevalente na população dos pacientes com câncer e justifica terapias com opioides – medicamentos com efeitos analgésicos e sedativos para dores moderadas ou extremas. O médico Fernando Medina, do Centro de Oncologia Campinas (SP), aponta que a evolução dos tratamentos colocou no mercado não só medicamentos de efeitos colaterais menores e com uma boa eficácia analgésica, como também profissionais especializados em tratar a dor.

Praticamente todos os pacientes com câncer, explica Medina, apresentam episódios recorrentes de dor, seja na cirurgia, nas complicações da doença, ou como consequências de procedimentos invasivos que às vezes precisam feitos. “A dor é comum a cerca de 50% dos pacientes que têm câncer inicial e em até 90% dos pacientes que desenvolvem a doença avançada”, detalha.

Felizmente, a evolução do estudo da dor no Brasil trouxe melhores condições de vida para os pacientes oncológicos. “Formou-se vários especialistas que se dedicam ao tratamento da dor, ao mesmo tempo que drogas surgiram, muito bem toleradas pelos pacientes, como a morfina sintética, administrada através da pele. Pacientes já ingerem muitos remédios, a droga transdérmica vem para facilitar a vida do oncologista que tem de enfrentar essa sina de tratar a dor do câncer”, conta o médico do COC.

O Centro de Oncologia Campinas realiza regularmente reuniões científicas para aprimoramento do tratamento do câncer e atualizações clínicas. Uma delas foi com o médico Felipe Machado, que possui doutorado na linha de pesquisa em dor e coordena o serviço de dor dos hospitais Beneficência Portuguesa e São Luiz Jabaquara, ambos na Capital, além de cuidar do Instituto Zero Dor e do Instituto de Ensino Zero Dor.

A medicina da dor é uma área de atuação em crescimento. Hoje, instituições de saúde criam departamentos exclusivos para os cuidados da dor para receber profissionais médicos que avançam nas especializações e recursos. “O tratamento da dor oncológica é importante. O público leigo acreditava que o paciente oncológico sentia dor muito próximo da morte, em doenças avançadas. Cada vez mais se vê que não é o caso. Muitos pacientes com propostas curativas ou com doenças iniciais têm bastante dor”, observa Machado.

Os derivados da morfina, por exemplo, são amplamente receitados para tratar a dor não só do câncer, mas de várias outras doenças. Ocorre que novamente um tabu é associado ao uso do medicamento – o de que opioides são indicados para doenças terminais, o que não procede, segundo ele. “O paciente oncológico e outros pacientes ainda precisam de opioides para tratar a dor. Cada vez mais surgem medicações que se propõem a tratar a dor de maneira direcionada, com melhor efeito analgésico e com menos efeitos colaterais.”

Dentre as inovações estão a Buprenorfina Transdérmica. “É uma droga que tem melhor perfil de efeitos colaterais e melhor analgesia, para dor moderada a intensa. Os pacientes têm tido resposta bastante positiva”, relata. Por se tratar de um adesivo transdérmico, o remédio é continuamente liberado. “O adesivo, em geral, dá menos efeito colateral. O paciente não tem de lembrar de ficar tomando remédio todo dia, melhora a qualidade de vida nesse aspecto”.

Na medicina da dor, explica, cada paciente é diferente. “Avaliamos o paciente, de onde vem a dor e qual a estrutura está sendo acometida, independentemente da doença dele”, complementa. Além dos remédios e das terapias oncológicas, ainda existem procedimentos intervencionistas, como os bloqueios. “Nesse procedimento o paciente elevado para o centro cirúrgico para tratar a dor. É rápido, simples, seguro. O paciente realiza o procedimento e no mesmo dia vai embora para casa”.

Felipe Machado reforça que muito se evoluiu no tratamento da dor, seja por meio do uso de neofármacos, de terapias complementares ou alternativas. “Sabemos hoje que uma associação de terapias é importante. Há evidências para as outras terapias, como acupuntura, massagem em pontos dolorosos, osteopatia, fisioterapia; e evidências para medicina complementar, como meditação, ioga e uma série de outras técnicas analgésicas”.

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