Especial Análise do Setor: Artigo – Nossa única saída é sermos muito inovadores e criativos

A saúde é uma das áreas de maior inovação no mundo, com novidades constantes em processos, produtos e serviços. No entanto, o Brasil se mantém estacionado diante desses avanços. Negócios e ideias relacionados ao tema não vingam no país, cujas empresas locais de saúde raramente se sobressaem no cenário mundial.

O motivo para o atraso está, principalmente, na ausência de gestão focada no novo. Os dois ministérios que deveriam ser responsáveis pelo setor (Saúde e Ciência e Tecnologia) não se posicionam claramente em relação às inovações.

O setor público, que deveria guiar as ações para o desenvolvimento de acordos científicos e comerciais, é totalmente isento do papel de gestor de políticas de incentivo e parece não se preocupar com aquilo que deveria ser o mais importante: a saúde do brasileiro.

Assim como em outros setores, pequenas e médias empresas da área sofrem com as altas tributações e não têm as mesmas condições dadas aos importados, com regras e controle sanitário mais claros do que os oferecidos à exportação.

Com isso, apesar de ser reconhecido como um dos dez grandes no segmento, o Brasil representa para produtos menos de 0,5% do mercado mundial. Sem os acordos fora do país, temos a internacionalização de produtos e serviços dificultada.

O desenvolvimento de uma área depende de inovação. Por isso, é necessário apoio à micro e pequena empresa, cooperação entre companhias nacionais e estrangeiras, bem como estímulo para acordos científicos e comerciais em âmbitos nacional e internacional.

Vivemos um momento de transição, ações para redução de despesas, melhoria de gestão, economia fraca persistente, grande dependência do governo. Porém, acompanhamos na última eleição a importância que a saúde alcançou na preocupação dos brasileiros e, em contrapartida, as propostas dos candidatos eleitos para projetos na área.

Temos discutido intensamente a busca de modelos ideais para contribuirmos com a melhoria da saúde. Nesse contexto, a inovação tem sido foco de programas, convênios e parcerias entre o setor.

Já perdi a conta de quantos eventos e reuniões sobre saúde, inovação e competitividade participei pelo Brasil. E também fora do país. Ainda assim, continuamos caindo no ranking mundial da produtividade, da inovação e também da educação. Esses tristes dados foram divulgados pela imprensa recentemente.

Viajando o mundo, percebemos sempre uma total incorporação desses conceitos pelas empresas globais que, infelizmente, não são assimilados tão bem no Brasil. É uma deficiência, uma dificuldade de integrar a cultura de inovação e competitividade, tanto nas organizações pequenas e médias, que são a maioria no país, como também em nosso governo.

Conversando com diversos especialistas que navegam nesse universo e conhecem não só os entraves, mas também as melhores práticas de inovação, percebo que para conseguirmos isso, em última instância, precisamos elevar o padrão do nosso país na capacidade de competir.

Se quisermos trazer para este ambiente empresas de todos os tamanhos, como fazem os países mais competitivos, e evitar morrer na praia, devemos aproveitar a característica que o Brasil tem, apesar dos entraves, de ser um dos mais empreendedores do mundo.

Sabemos das dificuldades, no entanto, análises constantes e atualizações possíveis são imprescindíveis para manter nossa capacidade de operação. Com limitação orçamentária e crescimento lento, teremos de disputar com outras prioridades os recursos existentes no mercado.

Acreditamos, porém, que, com essas condições, o setor da saúde será marcado por grande aumento da demanda e muita pressão nos custos. Nossa única saída é sermos muito inovadores e criativos para encontrarmos soluções em um ambiente que penaliza, complica e dificulta nossa competitividade.

Grandes oportunidades, tanto para fornecedores do sistema, quanto para melhoria do atendimento, surgirão. Nesse cenário, é nosso papel criar ações intersetoriais conjuntas para atender a essas condições de mercado.

 

 

Ruy Baumer é Presidente do ComSaude – Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia da Fiesp e do SINAEMO – Sindicato da Indústria de Artigos e Equipamentos Odontológicos Médicos e Hospitalares do Estados de São Paulo

 

 

Matéria originalmente publicada na Revista Hospitais Brasil edição 88, de novembro/dezembro de 2017. Para vê-la no original, acesse: portalhospitaisbrasil.com.br/edicao-88-revista-hospitais-brasil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.