Hospital Ana Costa adapta estrutura e reduz número de cesáreas

Após dar início a um amplo programa de humanização do parto, em agosto de 2017, o Hospital Ana Costa, de Santos (SP), conseguiu reduzir em 11 pontos percentuais o número de cesarianas. Por mês, são realizados cerca de 110 partos de todos os tipos na instituição. Para alcançar o resultado, houve investimentos na readequação da estrutura da maternidade e do fluxo de atendimento materno-infantil, em ações que estimulam o vínculo entre os pais e seus bebês e no treinamento de colaboradores.

O processo, que levou à melhora dos índices, englobou a adaptação do 6º andar da unidade, que agora concentra todo o atendimento prestado antes, durante e depois do parto. No espaço, foi criado um quarto no qual a gestante é acompanhada por uma equipe de plantão desde a internação até a alta, realizando, inclusive, o parto nesse ambiente. No local, são feitos exercícios para aliviar a dor e facilitar a chegada do bebê, utilizando bolas e banquetas, além de outros processos que estimulam o parto normal. “A humanização é a nossa principal aposta para acolher melhor as mães e os bebês”, reforça Isabelle Tatsui, diretora do hospital.

Outra novidade foi a criação de uma sala de extração do leite materno, na qual as mães que acompanham os bebês internados na UTI neonatal podem retirar seu leite e alimentar os filhos. Com a medida, caiu em 50% o consumo do alimento artificial que é dado aos pequenos.

Para estimular o vínculo entre pais e bebês no pós-nascimento, a instituição adotou o método canguru, que permite que o bebê tenha contato com a pele dos genitores e, dessa forma, possa se desenvolver melhor. Em 2018, o cuidado humanizado também norteará o tradicional curso de gestantes, oferecido pelo hospital há mais de 25 anos. No curso, as futuras mamães e acompanhantes recebem orientações sobre como amamentar, dar banho no bebê e cuidados com o cordão umbilical, entre outras. As informações são fornecidas por uma equipe multidisciplinar, formada por enfermeira obstétrica, obstetra, pediatra, nutricionista, fisioterapeuta e fonoaudióloga. A programação inclui um tour para conhecer a unidade e sanar todas as dúvidas sobre os cuidados.

O novo modelo de atendimento demandou também a contratação de uma enfermeira obstétrica especializada em atuação humanizada, que, por sua experiência com a Rede Cegonha – estratégia de atenção básica criada pelo Ministério da Saúde para estruturar a organizar o cuidado materno-infantil no país –, tornou-se referência para o treinamento das equipes que dão suporte às gestantes. “Nossa meta para 2018 é ingressar no programa Parto Adequado, da ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar, que visa identificar modelos inovadores adotados por hospitais para valorizar o parto normal”, ressalta a diretora.

As mudanças na assistência materno-infantil do Hospital Ana Costa integram um amplo processo de investimentos em infraestrutura, qualidade e segurança do paciente, em andamento na instituição.

Colocando as grávidas para dançar

Um dos assuntos mais comentados neste começo de ano foi o nascimento das gêmeas da cantora Ivete Sangalo e sua preparação para seguir para a sala de parto: dançando. A dança vem sendo usada por diferentes hospitais para aliviar as dores e ajudar as mulheres no momento do nascimento do bebê. A prática é recomendada pelo Cofen –Conselho Federal de Enfermagem e por médicos especialistas.

Em entrevista ao Fantástico, a conselheira Fátima Sampaio, da Comissão de Saúde da Mulher do Cofen, disse que o parto transcorre melhor quando a mulher se sente segura e acolhida. “A movimentação, inclusive a dança, se a mulher se sentir à vontade, também pode ajudar na evolução do trabalho de parto”, explicou.

Em julho de 2017, a equipe do Centro Obstétrico do Hospital Conceição, de Porto Alegre (RS), criou um vídeo com uma paródia do hit “Despacito” para falar sobre  gestação, do pré-natal ao parto. O objetivo foi mostrar que a evolução do parto é devagar, que é um processo demorado, ao mesmo tempo em que incentiva o parto natural. Há mais de oito anos, esta maternidade estimula a dança para as grávidas.

Matéria originalmente publicada na Revista Hospitais Brasil edição 89, de janeiro/fevereiro de 2018. Para vê-la no original, acesse: portalhospitaisbrasil.com.br/edicao-89-revista-hospitais-brasil

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