Projetos de telemedicina e telessaúde reduzem fila de espera e garantem o acesso ao diagnóstico na rede pública

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Hospitais do Sistema Único de Saúde recebem apoio de hospitais referência em qualidade no Brasil por projetos de telemedicina e telessaúde. São iniciativas do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), que já forneceu mais de 10 mil óculos à população, reduziu em 50% a fila de espera nas consultas especializadas e analisou 1 milhão de laudos de eletrocardiogramas, facilitando o diagnóstico de doenças cardiovasculares.

O tema é tão relevante atualmente que segundo o Relatório Telehealth, do New England Journal of Medicine, o uso de recursos de telemedicina deve alcançar quatro objetivos principais: melhorar a experiência do paciente durante o tratamento, melhorar a saúde da população, reduzir o custo per capita de cuidados com a saúde, e otimizar a experiência em serviços de saúde¹.

Um dos exemplos é o projeto Teleoftalmologia executado pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), em parceria com o Telessaúde RS-UFRGS e a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS). O responsável técnico do projeto, Dr. Felipe Cabral, explica como a iniciativa é executada no estado do Rio Grande do Sul. “Foram implementadas oito consultórios remotos de alta tecnologia, capazes de realizar diagnósticos oftalmológicos como catarata, glaucoma e retinopatia diabética. Eles são coordenados a distância por especialistas que orientam e supervisionam a realização de exames, com os laudos sendo emitidos via plataforma web para o médico do SUS solicitante”, explica.

Com o objetivo de ampliar a oferta de diagnóstico no SUS, até setembro de 2019 foram realizados mais de 20 mil atendimentos, com mais de 10 mil óculos fornecidos à população. Para o Superintendente de Educação, Pesquisa e Responsabilidade Social do Hospital Moinhos de Vento, Luciano Hammes, o uso de telemedicina é uma ferramenta eficaz para enfrentar os múltiplos desafios do SUS. “A telemedicina é uma das táticas para equalizar o equilíbrio entre oferta e demanda da atenção oftalmológica no SUS. Somente no Rio Grande do Sul, são mais de 15 mil pessoas aguardando por uma consulta” afirma.

Iniciativa quer zerar as filas de espera para consulta com especialista no SUS

O projeto Regula Mais Brasil, executado pelo Hospital Sírio-Libanês, trabalha para dar suporte à regulação das filas de espera para consulta com especialistas no Distrito Federal, Belo Horizonte, Porto Alegre e Amazonas, visando a qualificação da assistência nos Serviços de Atenção Primária à Saúde (APS).

As especialidades reguladas são as inseridas no programa federal, realizado em parceria com as secretarias estaduais e municipais de saúde, incluindo cirurgia vascular, endocrinologia, gastroenterologia, neurologia, ortopedia, entre outros.

“O projeto oferece suporte ao médico da UBS por meio de um canal telefônico gratuito. Médicos teleconsultores atendem os profissionais da Atenção Primária à Saúde para discutir casos e também fazem a gestão das vagas para consulta especializada. A decisão pelo encaminhamento é compartilhada, sempre dando prioridade aos casos mais graves”, explica Sabrina Dalbosco Gadenz, gerente do projeto Regula Mais Brasil.

Os resultados são expressivos. Somente em 2019, o Regula Mais Brasil realizou mais de 6.100 teleconsultorias, mais de 293 mil em 20 especialidades diferentes.

No Amazonas, casos com alta prioridade tiveram uma redução de 94% no tempo de espera para consulta com o cardiologista. Já no Distrito Federal, a mesma especialidade apresentou diminuição no número de novos encaminhamentos, ou seja, o profissional da APS está mais resolutivo.

A Superintendente de Responsabilidade Social do Hospital Sírio-Libanês, Vânia Bezerra, ressalta o impacto desse projeto para o dia a dia dos pacientes. “O Regula Mais Brasil proporciona atendimento de forma rápida, prática e funcional aos pacientes que realmente necessitam” explica. “Esse projeto também está diretamente ligado ao fortalecimento da APS um tema urgente para a discussão da sustentabilidade dos sistemas de saúde” finaliza Vânia.

Projeto emite mais de 1 milhão de laudos de eletrocardiogramas no SUS

A telemedicina também está contribuindo para levar a rápida tomada de decisão em casos de eventos cardiovasculares, por meio do projeto “Boas práticas na atenção à cardiologia e urgências cardiovasculares”. Realizado pelo HCor, essa iniciativa busca ofertar o acesso ao diagnóstico para áreas remotas, ou que não possuem especialistas em cardiologia.

Quem explica mais é o coordenador executivo do projeto, Dr. Fábio Taniguchi. “Alocamos pontos de análise dos exames de ECG por meio de telemedicina, nos quais os exames são analisados 24h por dia, sete dias por semana, por meio de aparelhos móveis nas unidades de saúde contempladas, sendo UPA ou SAMU, em 21 estados brasileiros” explica. “Após a captação do exame, são transferidos por internet ou telefone a uma plataforma unificada, onde cardiologistas do HCor realizam análise de forma remota em até 10 minutos a partir do envio, retornando os laudos às unidades de saúde via plataforma”, esclarece o gestor.

Desde o início do projeto, em 2009, mais de 1 milhão de ECGs foram laudados, sendo que 0,6% são compatíveis com infarto agudo do miocárdio com elevação do seguimento ST (IAMCSST). Por fim, em 2019, foram diagnosticados mil pacientes com infarto, com acompanhamento após 48 horas para avaliação do desfecho clínico.

A Superintendente de Responsabilidade Social do HCor, Bernardete Weber, destaca a relevância da iniciativa como esse para os pacientes do Sistema Único de Saúde. “Por meio desse projeto conseguimos mensurar indicadores como medicações, encaminhamentos, procedimentos e demais condutas com o paciente, o que vêm trazendo um impacto direto no prognóstico, com redução de mortalidade e oferta de um diagnóstico mais efetivo” destaca Bernardete.

Nos últimos dez anos, os hospitais membros do PROADI-SUS já executaram 13 projetos de telemedicina, com mais de 1 milhão de atendimentos realizados e mais de mil profissionais capacitados, levando ao Sistema Único de Saúde novas possibilidades com potencial de ampliar o acesso, diagnóstico e atendimento à população brasileira.

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