Propostas do setor de saúde têm de focar na gestão, avalia Yussif Ali Mere

Yussif Ali Mere

Um oceano separa os planos de governo, os discursos dos candidatos e as demandas da população em relação ao atendimento no serviço público de saúde. “Neste oceano está a gestão, os custos, a profissionalização, enfim, a vida real”, fala Yussif Ali Mere, presidente do Sindhoribeirão, que integra a Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (FEHOESP).

No período eleitoral, a saúde aparece nas pesquisas de opinião como a principal preocupação dos eleitores. “Sempre foi assim, independentemente de pandemia, pelo fato de o setor de saúde consumir muitos recursos e nem sempre entregar à população o serviço à altura dos investimentos”, lembra Yussif.

A previsão orçamentária para a saúde em 2021 é de cerca de R$ 700 milhões, o maior volume de recursos destinado a um setor. “A questão central em relação a este tema não é a construção de novas unidades, mas a distribuição eficiente desse recurso, que não é pouco”, avalia.

A gestão, na visão de Yussif, deveria estar no centro do debate. “Os candidatos pressupõem que os eleitores não compreendem esta questão e focam em promessas de instalação de novas unidades de saúde em determinados lugares, e isso nem sempre acontece por que não precisa mesmo acontecer”.

Ele lembra, por exemplo, que a distribuição dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), que compõe o orçamento de R$ 700 milhões, tem também como destino instituições particulares. A parceria entre os setores público e privado, fala Yussif, é a solução de gestão que melhor atende às necessidades da população, sem a exigência de grandes aportes de recursos, pelo fato de as estruturas já estarem montadas.

“É este o debate que tem de ser feito: como usar com eficiência a estrutura que já existe. Ribeirão é referência nacional em saúde, tem centros de excelência nas áreas pública e privada, com médicos, equipamentos de última geração. Como universalizar este acesso gerindo os recursos públicos com eficiência é o que deveria ser dito”, opina.

Redação

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